
Dermatoscopia digital na avaliação de lesões.
O câncer de pele é o câncer mais frequente no Brasil e, quando detectado cedo, tem altíssimas chances de cura. É por levar isso a sério que dedico parte da minha formação a essa área: hoje curso a Pós-Graduação em Onco-Cutânea Avançada no A.C. Camargo Cancer Center, referência nacional em câncer. É esse rigor que aplico em cada decisão sobre a sua pele.
Na avaliação, uso a dermatoscopia digital para enxergar padrões invisíveis a olho nu e o mapeamento corporal total para registrar e comparar as suas pintas ao longo do tempo, identificando mudanças sutis antes que se tornem um problema. Se você tem histórico de câncer de pele na família, muitas pintas ou pele clara com sol acumulado, essa avaliação periódica é ainda mais importante.

Imagem: National Cancer Institute (NCI), www.cancer.gov.
O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais comum. Costuma aparecer em áreas de sol acumulado (nariz, orelha, face, colo) como uma pápula perolada com vasinhos na superfície, uma ferida que sangra e cicatriza repetidamente, ou uma área avermelhada que não desaparece.
Tem crescimento lento e raramente dá metástase, mas é localmente invasivo: quando ignorado por anos, infiltra cartilagem e osso, e o tratamento passa a exigir cirurgia bem maior, numa região do rosto em que cada milímetro conta.
Na avaliação uso a dermatoscopia, que revela padrões vasculares e de pigmento não visíveis a olho nu e ajuda a definir se a lesão precisa de biópsia. Quando detectado cedo, tem altas taxas de cura com tratamento cirúrgico.
Como é feita a cirurgia do câncer de pele →
Imagem: National Cancer Institute (NCI), www.cancer.gov.
A ceratose actínica é uma lesão pré-maligna: aquela aspereza avermelhada que se sente mais do que se vê, no rosto, na orelha, no couro cabeludo de quem tem pouco cabelo e no dorso das mãos. Ela sinaliza uma pele com dano solar acumulado ao longo de anos.
A ligação entre as duas coisas é o ponto central: a ceratose actínica é a lesão que pode se transformar em carcinoma espinocelular. Isso não acontece com toda ceratose, e o risco de uma lesão isolada evoluir é baixo. O problema é que raramente existe uma lesão só. Quanto maior o número de ceratoses e mais tempo elas permanecem na pele, maior a chance de que alguma evolua, e não há como saber de antemão qual delas. Endurecimento, crescimento rápido, dor, sangramento ou uma lesão que passa a doer ao toque são sinais que mudam a conduta de acompanhar para investigar.
O CEC é o segundo câncer de pele mais frequente. Costuma se apresentar como lesão endurecida, com crosta ou ferida que não cicatriza. Diferente do basocelular, tem potencial de metástase, sobretudo em lábio e orelha, em lesões grandes e em pacientes transplantados ou imunossuprimidos.
Por isso trato as duas coisas juntas: as ceratoses e o campo de cancerização ao redor, além da remoção cirúrgica com margem quando o carcinoma já existe. Quem teve uma lesão tem risco maior de ter outras, o que torna o seguimento parte do tratamento.
Como é feita a biópsia que confirma o diagnóstico →
Imagem: National Cancer Institute (NCI), www.cancer.gov.
O melanoma responde pela minoria dos cânceres de pele e pela maior parte das mortes por câncer de pele, o que se explica pelo potencial de metástase quando o diagnóstico é tardio. Pode surgir a partir de uma pinta existente ou, com frequência, como lesão nova.
A regra ABCDE ajuda a levantar suspeita: Assimetria, Bordas irregulares, Cores múltiplas, Diâmetro em crescimento e Evolução, que é a mudança ao longo do tempo. Igualmente útil é o sinal do "patinho feio", a pinta que destoa de todas as outras daquela pessoa.
Na pele negra e parda existe uma armadilha importante: o melanoma acral, que aparece na planta do pé, na palma da mão e sob a unha, como uma faixa escura que se alarga ou uma mancha que muda. É uma localização menos lembrada e, por isso, costuma chegar mais tarde. Qualquer lesão suspeita é avaliada com dermatoscopia e, quando indicado, biópsia, porque o diagnóstico definitivo é histopatológico.
A dermatoscopia é um exame não invasivo, feito com aparelho de luz polarizada e ampliação, que revela estruturas da pele invisíveis a olho nu. Ela aumenta a acurácia diagnóstica em relação ao exame simples e, tão importante quanto identificar o que precisa sair, evita cirurgias desnecessárias em lesões claramente benignas.
O mapeamento corporal registra as lesões em fotografia e permite comparar as mesmas pintas ao longo do tempo. Essa comparação é o que detecta a mudança sutil, aquela que não seria percebida pela memória de uma consulta para a outra.
A indicação é mais forte para quem tem muitas pintas, pele clara com queimaduras solares na infância, histórico pessoal ou familiar de melanoma, imunossupressão ou lesões atípicas. A periodicidade do seguimento é definida caso a caso.

No A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, durante a Pós-Graduação em Onco-Cutânea Avançada.
Não exibo depoimentos escolhidos a dedo aqui no site: selecionar quais mostrar já é, por si só, um filtro. O que os meus pacientes escreveram está na minha página do Google, inteiro e sem curadoria minha.
Ver minha página no GoogleÉ o médico dermatologista (título obtido por RQE, como o meu, RQE 6346) que atua no diagnóstico e tratamento das doenças da pele, incluindo o câncer de pele. Diagnóstico, dermatoscopia e remoção cirúrgica de carcinomas fazem parte da prática nuclear da Dermatologia no Brasil.
Não. A maioria das pintas é benigna e não precisa de remoção. A dermatoscopia ajuda a diferenciar o que só precisa de acompanhamento do que tem característica suspeita e pede biópsia.
Varia conforme o seu risco: número de pintas, histórico pessoal ou familiar, fototipo e exposição solar ao longo da vida. A periodicidade é definida caso a caso na avaliação.
É feita com anestesia local, então a dor durante o procedimento é mínima. Pode deixar uma cicatriz pequena, cujo cuidado eu explico no retorno.
Depende do tipo e do momento do diagnóstico. Detectado cedo, tem altas taxas de controle e cura, especialmente carcinoma basocelular e espinocelular. Por isso a avaliação e o acompanhamento periódico importam.
Sim. Costuma ser candidato a acompanhamento mais frequente com dermatoscopia e mapeamento corporal, e isso é conversado e ajustado na consulta.
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