
A pele é o maior órgão do seu corpo e muitas vezes reflete desequilíbrios internos que passam despercebidos. Na consulta, faço uma avaliação clínica detalhada, que inclui o exame de toda a superfície da pele, dos cabelos e das unhas, para chegar a um diagnóstico preciso e propor o tratamento mais adequado para você.
Acne, dermatites, psoríase, queda de cabelo e manchas são queixas comuns, mas cada pessoa pede uma abordagem única. Nem toda mancha é apenas estética; nem toda queda de cabelo é genética. Meu papel é diferenciar cada situação e cuidar da causa, junto com você.

A acne é uma doença inflamatória crônica da unidade pilossebácea, não um problema só estético. Quatro fatores se somam: aumento da produção de sebo, alteração na queratinização do folículo, proliferação da bactéria Cutibacterium acnes e inflamação. É por isso que lavar o rosto com mais frequência não resolve e, muitas vezes, piora.
Na consulta eu classifico a forma e a gravidade (comedoniana, papulopustulosa, nodular) e procuro fatores associados, como o componente hormonal da acne da mulher adulta, uso de determinados cosméticos e medicações. A conduta vai do tratamento tópico e do antibiótico oral até a isotretinoína nos casos com indicação.
A cicatriz se trata depois que a doença ativa está controlada, e o que mais aumenta o risco de marca definitiva é espremer a lesão. Em pele negra e parda existe uma preocupação adicional: a hiperpigmentação pós-inflamatória, a mancha escura que fica depois da lesão e costuma incomodar mais do que a acne em si.
O melasma é uma hiperpigmentação crônica, mais comum em mulheres e na pele parda e negra, com forte influência da radiação solar, da luz visível e de fatores hormonais (gestação e anticoncepcional, por exemplo). Isso explica a piora no verão e o retorno das manchas quando o tratamento é interrompido.
O tratamento tem duas frentes que não funcionam separadas: reduzir o estímulo e clarear o que já existe. A primeira é fotoproteção diária, de preferência com cor, porque o filtro com pigmento cobre também a luz visível, que o filtro transparente não bloqueia. A segunda combina despigmentantes tópicos prescritos, peelings e MMP (microinfusão de medicamentos), conforme o caso.
Trato o melasma como controle contínuo, com ajustes ao longo do tempo, e não como procedimento único. Tratamentos agressivos demais podem inflamar a pele e escurecer ainda mais a mancha, então a intensidade é calibrada para o seu fototipo.
A psoríase é uma doença inflamatória imunomediada e sistêmica, não uma simples descamação da pele. As placas avermelhadas com escamas prateadas são a manifestação mais visível, mas a inflamação não fica restrita à pele.
Parte relevante dos pacientes desenvolve artrite psoriásica, que pode começar com dor e rigidez nas articulações pela manhã, dor no calcanhar ou um dedo inteiro inchado. Quando o diagnóstico demora, o dano articular pode ser irreversível, então essa é uma pergunta que faço em consulta. O acometimento das unhas, com pontilhado, descolamento e espessamento, é frequente e se associa a maior chance de envolvimento articular.
A psoríase também se associa a maior risco cardiovascular, síndrome metabólica, obesidade, doença hepática gordurosa e quadros de ansiedade e depressão. Por isso o acompanhamento envolve rastrear essas condições junto com o clínico, e não apenas tratar a placa. As opções terapêuticas vão do tratamento tópico e da fototerapia aos imunobiológicos, com escolha conforme gravidade, áreas acometidas e comorbidades.
As micoses superficiais são infecções por fungos na pele, nos pelos e nas unhas. Incluem as tinhas (corpo, virilha, pé e couro cabeludo), a onicomicose e a pitiríase versicolor, o chamado pano branco.
Nem toda lesão descamativa com coceira é micose, e esse é o ponto que mais atrasa tratamento: eczema, psoríase e dermatite de contato imitam micose. Pior, creme com corticoide aplicado sobre uma micose real modifica o aspecto da lesão e dificulta o diagnóstico depois. Quando necessário, confirmo com exame micológico direto ou cultura antes de tratar.
A onicomicose merece atenção à parte: exige tratamento prolongado, às vezes por via oral com controle laboratorial, e nem toda unha alterada é fúngica. Distinguir de psoríase ungueal, trauma repetido e outras causas evita meses de medicação sem necessidade.
A dermatite seborreica é uma inflamação crônica nas áreas ricas em glândulas sebáceas: couro cabeludo, sobrancelhas, laterais do nariz, região da barba, orelhas e, às vezes, o tórax. Envolve a resposta do organismo ao fungo Malassezia, que faz parte da flora normal da pele, somada a fatores como estresse, privação de sono, clima e predisposição individual.
Por ser crônica, alterna períodos de melhora e de crise. O objetivo do tratamento é espaçar as crises e manter a pele confortável, com um esquema de manutenção e outro para os momentos de piora. Corticoide potente por conta própria melhora rápido e cobra caro depois, com afinamento da pele e piora ao suspender.
Quando o quadro é extenso, de início súbito ou resistente ao tratamento, investigo causas associadas, porque a dermatite seborreica pode se apresentar de forma mais intensa em algumas condições neurológicas e de imunidade.
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